O Omniprism é uma ferramenta de autoavaliação gratuita e privada para pessoas que suspeitam ser neurodivergentes — ou que simplesmente têm curiosidade sobre como a própria mente funciona.
Abrange 14 áreas, entre elas a PHDA, o autismo, a sensibilidade sensorial, o mascaramento e a dislexia. Adapta-se às suas respostas, está disponível em vários idiomas e demora 12–15 minutos.
Há também edições separadas para crianças e jovens, preenchidas em conjunto com um dos pais.
Não é um diagnóstico. Não pode substituir uma avaliação clínica, nem o pretende. O que pode fazer é dar-lhe um retrato claro e estruturado de onde poderá valer a pena olhar a seguir — e as palavras para começar essa conversa com um profissional, com quem partilha a vida ou consigo.
Não é uma ferramenta de recolha de dados. Na versão gratuita, nada do que introduz sai alguma vez do seu dispositivo: não há conta, nem e-mail, nem servidor a receber as suas respostas. Quando a sessão termina, tudo desaparece.
Vista de fora, a minha vida sempre pareceu uma história de sucesso. Licenciei-me com nota máxima em Arqueologia Islâmica pela Universidade Sapienza de Roma, passei dois anos na Austrália a trabalhar no que fosse aparecendo, depois cinco no Reino Unido — a começar no design de mobiliário e a acabar na consultoria informática, com uma promoção quase todos os anos — e depois Paris e Nice, em cibersegurança. Tenho três filhas, uma casa nos Alpes e uma vida a que muita gente chamaria um sonho.
O que ninguém via era o preço. Construí sistemas elaborados para parecer normal e gastei uma energia enorme a mantê-los. De poucos em poucos anos, cediam e eu entrava em burnout — depois reconstruía tudo e recomeçava.
Aos 42 anos, descobri que tinha PHDA desde sempre.
Essa única informação mudou tudo — não porque tenha resolvido alguma coisa, mas porque finalmente deu sentido a tudo: à forma como penso, sinto, trabalho, amo, luto e, muitas vezes, me destaco de maneiras que não conseguia explicar. Não era um defeito de caráter. Era um sistema operativo diferente, a correr num hardware para o qual nunca ninguém me tinha dado o manual.
O último burnout foi aquele de que já não consegui reerguer-me da forma habitual. O tempo que devia ter passado a descansar usei-o para escrever um livro — e para construir isto.
Criei o Omniprism porque não quero que ninguém espere 42 anos por esse momento.
Essa experiência — ter de repente um mapa para um território por onde se andava às cegas — é o centro do Omniprism.
Continuo a construir tudo sozinho, mas a parte técnica é agora só metade do meu trabalho. A outra metade é levar o Omniprism mais longe: procurar financiamento, falar dele em podcasts e onde quer que alguém queira ouvir e, quando chegar a altura, contratar as pessoas de que o projeto vai precisar.
Neuropsicóloga clínica formada pela Université Côte d'Azur, com mestrado em Neuropsicologia e Psicopatologia Cognitiva. Fez a sua formação clínica no Centre Hospitalier Universitaire de Nice — em neurologia, psiquiatria e neurocirurgia — e no centro de avaliação da memória e da cognição da Association Hospitalière Sainte-Marie. Exerce em consultório privado desde 2022, centrada na avaliação psicométrica e na saúde mental. No Omniprism, lidera a revisão clínica de todos os conteúdos, da edição para adultos às pediátricas, e o desenvolvimento de dados normativos, garantindo que cada ferramenta cumpre os padrões da neuropsicologia dentro do seu âmbito educativo e não diagnóstico.
O Omniprism é um projeto vivo. Novas versões e ferramentas complementares estão em desenvolvimento.
Se lhe foi útil, pense em partilhá-lo com alguém que possa precisar. Continua a ser a melhor forma de este projeto crescer.